Alergia a castanhas
- Dra Claudia Leiko

- 24 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 30 de nov. de 2025
A alergia a castanhas é uma condição que pode trazer desafios importantes para o dia a dia, mas com o diagnóstico correto e um plano de cuidado individualizado é possível viver com mais segurança, liberdade e qualidade de vida. Neste texto, você vai entender como reconhecer os sintomas, como funciona o tratamento e quais estratégias podem ajudar a conviver melhor com essa alergia.
A alergia a castanhas é uma das alergias alimentares mais comuns e potencialmente graves, especialmente na infância, mas que frequentemente persiste na vida adulta. O termo “castanhas” inclui um grupo variado de oleaginosas como nozes, amêndoas, avelãs, castanha-de-caju, pistache, pecã, macadâmia e castanha-do-pará, entre outras. Esses alimentos são ricos em proteínas, fibras e gorduras saudáveis, por isso são amplamente consumidos em sua forma natural, em receitas culinárias e em produtos industrializados.
As castanhas estão presentes em uma enorme variedade de preparações do dia a dia: chocolates, bolos, pães, biscoitos, sorvetes, granolas, barrinhas de cereal, molhos (como o pesto) e até em farinhas e bebidas vegetais (como o leite de amêndoas). Essa ampla utilização aumenta o risco de exposição acidental, o que representa um desafio importante para quem convive com essa alergia.

Diagnóstico da Alergia as Castanhas
O diagnóstico envolve a avaliação da história clínica, associada aos exames laboratoriais e, quando indicado, teste de provocação oral (TPO). Um exame de IgE para uma castanha positivo, isolado (sem história clínica), não é suficiente para o diagnóstico e pode ser indicado TPO.
A alergia as castanhas do tipo IgE mediada costuma provocar sintomas rápidos, geralmente em minutos a até 2 horas após a ingestão ou exposição ao alimento e tipicamente dura algumas horas.
As reações variam de leves a graves e os sintomas podem envolver:
Pele e mucosas: urticária (manchas vermelhas e elevadas com coceira), angioedema (inchaço, especialmente em lábios, olhos ou face)
Sistema gastrointestinal: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia
Sistema respiratório: coriza, espirros, tosse, chiado no peito (sibilância), dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou na garganta
Sistema cardiovascular: tontura, desmaio, queda de pressão
Anafilaxia: reação sistêmica grave, que pode envolver mais de um orgão afetado
Os exames incluem:
Teste cutâneo por puntura (prick test)
Dosagem de IgE específica para castanhas no sangue: castanha de caju, avelã, etc
IgE para componentes do castanha (Component-Resolved Diagnostics) quando disponível (pode auxiliar na avaliação de reatividade cruzada)
Reatividade Cruzada: quem tem alergia a uma castanha pode ter alergia a outras castanhas?
A reatividade cruzada ocorre quando o sistema imunológico reconhece proteínas semelhantes presentes em alimentos diferentes, gerando uma resposta alérgica.
Na avaliação de reatividade cruzada, é importante ficar claro alguns conceitos:
Apesar de haver similaridade entre algumas proteínas das castanhas, a maioria dos pacientes não são alérgicos a todas as castanhas.
A reatividade laboratorial (ter IgE específica para uma castanha positiva) não significa necessariamente que o paciente terá reação alérgica a essa castanha. Nessa situação, alguns testes adicionais podem ser necessários, como a avaliação de componentes (auxilia avaliar risco de reatividade cruzada) e teste de provocação oral.
Um dos principais fatores de risco para ter alergia a outra castanhas é o padrão de semelhança com a outra castanha. Por exemplo, as principais proteínas que causam alergia a pistache são muito semelhantes as proteínas da castanha de caju, por isso, cerca de 90% dos alérgicos ao pistache têm alergia também a castanha de caju.

Fonte: Labrosse R, Graham F, Caubet JC. Recent advances in the diagnosis and management of tree nut and seed allergy. Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2022 A avaliação individualizada com história clínica, IgE específica e teste de provocação oral é essencial para evitar restrições desnecessárias.
Se você consome alimentos que possivelmente tem risco de reatividade cruzada (considerando quantidades e consumo posterior ao desenvolvimento da alergia), mas não tem reação, mantenha consumo!
Tratamento
A escolha do tratamento deve ser realizada de forma personalizada e por meio de um processo de decisão compartilhada em que avalia-se não só aspectos clínicos específicos do paciente (como idade, prognóstico e gravidade), mas também o estilo de vida, prioridades e valores. E nesse processo, médico, paciente e família trabalham juntos para escolher a melhor estratégia de cuidado.
Nessa estratégia de tratamento, o médico irá apresentar as possibilidades de tratamento, ponderando aspectos específicos do paciente, e apresentando os riscos e os benefícios. É importante que você possa expressar suas preocupações e quais as prioridades no tratamento que você está buscando, seja em medidas que possam trazer segurança, diversidade alimentar, impacto em qualidade de vida (questões emocionais e restrições sociais). A decisão será tomada em conjunto com base em todos esses aspectos.
Dieta de exclusão e plano de ação
Essa abordagem de tratamento é indicada inicialmente para todos os pacientes e envolve compreender como fazer restrição para trazer segurança e ter um plano de ação caso ocorra reação alérgica por contato acidental.
Fique atentos a alimentos como:
Chocolates, bombons, balas
Barras de cereal e granolas
Produtos de panificação (biscoitos, bolos)
Sorvetes e sobremesas prontas
Molhos orientais e pastas
Alimentos com alerta de “pode conter traços de castanhas” são muito comuns pelo risco de contato cruzado elevado, principalmente em linhas de produção compartilhadas. Discuta com seu médico sobre a necessidade de restrição de traços.
Saiba mais sobre essa estratégia de tratamento aqui.
O impacto em qualidade de vida nessa estratégia terapêutica varia de cada paciente e potencialmente pode impactar mais quando há outras alergias ou restrições alimentares associadas, experiências prévias com reações graves, necessidade restrições rigorosas, especialmente em casos em que há reação com contato por quantidades pequenas e antecedente de quadros associados de depressão, ansiedade e seletividade alimentar.
Imunoterapia para alergia a castanhas
A imunoterapia oral é uma das estratégia que visa melhorar qualidade de vida quando a alergia a castanha impacta em questões psico-emocionais e restrições sociais. Entenda aqui sobre esse tratamento. Um dos principais pontos importantes na decisão de se fazer imunoterapia ou não e qual via fazer está relacionada a quais são as prioridades do paciente e sua família: segurança, diversidade alimentar e impacto em qualidade de vida.
O estudo NUT CRACKER publicado na revista Allergy em 2022, avaliou 50 pacientes alérgicos a castanha de caju submetidos a imunoterapia oral. Nesse estudo, 88% conseguiram tolerar doses elevadas sem reação. Além disso, todos os pacientes que tinham co-alergia a pistache toleraram pistache também após o tratamento.
Imunobiológico
Um dos tratamentos medicamentoso estudados para tratamento de alergia alimentar tem como alvo a imunoglobulina E (IgE) que é importante para desencadear a reação na alergia alimentar. Um estudo de 2024 publicado na New England Journal of Medicine mostrou que uso de essa medicação aumentou o limiar de reação em uma parcela significativa de pacientes com alergia alimentar, ou seja, aumentou a quantidade mínima de proteína alimentar que desencadeia reação alérgica. Isso permite que pacientes tenham mais segurança, reduzindo o risco de reação alérgica em contato acidental com quantidades pequenas. Além disso uso, essa medicação pode ser usada em conjunto com a imunoterapia oral, reduzindo o risco de reação alérgica.
Passos importantes
Diagnóstico preciso
Avaliação de reatividade cruzada: entenda se há necessidade ou não de exclusão de outros alimentos
Tratamento individualizado.
Para a escolha do tratamento, reflita:
- Você procura melhorar a segurança e diminuir risco de reações graves?
- A alergia a castanha está impactando em qualidade de vida?
- Por que a alergia a castanha está impactando em qualidade de vida?
- Restrição a castanha limita questões sociais (ir festa de aniversário, viagem, restaurantes)?
- Essa restrição está impactando em questões psico-emocionais?
- Você procura aumentar o limiar de reação para que o contato com quantidades pequenas não cause reações alérgicas?
- Você ou seu filho tem desejo de consumir alimentos que contenha castanha?
Encontre o melhor caminho para tratar a sua alergia.
Não há um tratamento que seja o melhor para todos os pacientes. Com a auxílio de um alergista com expertise na área e que possa acolher e compreender as suas prioridades, é possível viver com muito mais segurança, liberdade e qualidade de vida.
Se você tem alergia a castanha e deseja avaliar a possibilidade de tratamento, agende sua consulta aqui.





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